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Atravessar os Alpes em fora-de-estrada já era algo que há muito vínhamos a pensar. Já conhecíamos parte deles em viagens de turismo e montanhismo, mas nunca nos tínhamos aventurado além das estradas. No entanto, pelas imagens e filmes que tínhamos visto ao longo dos anos sabíamos que era uma viagem possível e impressionante de se fazer. E assim foi, 2019 seria o ano dos Alpes. Mas agora tínhamos um problema, sabíamos que em França e Itália é permitido circulação por caminhos não asfaltados desde que não haja sinalética a proibir, mas dado que seria a primeira vez que íamos circular fora-de-estrada nesses países não fazíamos a mínima ideia das restrições que poderíamos encontrar. E nos mapas OSM e Google Earth que usamos para marcar os percursos também não tem essa informação. Resolvemos então recorrer ao Wikiloc partindo do princípio de que se alguém já lá passou é porque se pode passar!

A maioria dos atrelados para transporte de crianças baseiam-se num sistema de duas rodas com um braço que liga ao eixo da roda traseira. Este sistema permite na maioria das marcas ser usado também como carrinho de criança acoplando uma ou duas rodas a frente. No entanto ao terem duas rodas são pesados e podem tombar nas inclinações. O Singletrailer da Touteterrain elimina esses dois contras usando apenas uma roda com suspensão de ar tal como as das bicicletas de suspensão total.

Esta foi a bicicleta escolhida para o nosso filho de 6 anos. Quando começamos a ver de bicicletas para ele delineámos algumas características que consideramos imprescindíveis para o que pretendíamos para ele:

Para a primeira vez decidimos não ir acampar e ficar em casa de amigos no Pinhal Novo. Definimos um percurso que fosse o máximo por caminhos de terra , preferencialmente não muito difíceis mas esta é uma questão sempre difícil de fazer à distância e evitando estradas muito movimentadas.

Vimos agora falar-vos deste novo conceito de viagens que estamos a começar. Na realidade não é diferente do que já fazíamos, só muda o veículo que usamos. E claro toda a gestão que isso implica. Falamos pois de viagens de bicicleta. Ainda somos muito verdes nisto de modo que vamos começar por uma introdução, falar-vos de onde surgiu a ideia.

Estávamos no 11º dia de viagem, 9 dos quais em TT pelos Pirenéus. A última noite foi especialmente difícil, só conseguimos parar às 22h. Zona muito turística e com muitas interdições nos caminhos fora do principal. E o dia de hoje não parece diferente, foi aliás a pista mais turística por onde passámos, a que liga Esterri d’Aneu a Baqueira. Vale muito bonito e claro, repleto de famílias. Parece que fugiram todos para aqui! Sabia que tínhamos de sair desta zona para encontrar um local para ficar e desta vez cedinho para podermos tomar banho e fazer tudo com calma. As expectativas para encontrar um bom local a tempo e horas não eram boas, ainda tínhamos de atravessar a pista de Salardú-Arrós e possivelmente passar o túnel de Vielha e agora estava na hora do lanche! Como é costume procuramos um local onde não haja pessoas, para estarmos mais à vontade, mas tem sido especialmente difícil. Então, pouco depois de Salardú, vejo uma pista a subir pela direita e o que me chamou a atenção foi a placa. Não era de interdição como era costume, dizia “Recomendat 4X4”! Parei e fui ao mapa do Overlander. Nas imagens de satélite que tinha descarregado para o Orux mostrava um caminho que continuava a subir, mas seria transitável? Fui ver no mapa topográfico do Explore do Overlander e realmente havia uma pista e ainda com alguns 10kms! É claro que tínhamos de ir investigar! Ainda por cima com a placa a “pedir” para seguirmos por ali…