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Garmin Overlander Review

  • Introdução
  • Preparação da viagem
  • Drive
  • Gestão de dados
  • Navegação offroad
  • Conclusão

Introdução ao Overlander

Na nossa última viagem por Espanha em Agosto, tivemos a oportunidade de usar o Garmin Overlander e esta review baseia-se na nossa experiência. A viagem consistiu na travessia dos Pirinéus e Espanha central, o máximo possível por caminhos e pistas de terra preparados de antemão especificamente para esta viagem e foi especialmente interessante usar este GPS nesta aventura.

Para facilitar a leitura, algumas palavras serão substituídas por nomenclatura comum em Inglês:

  • Trajectos -Tracks
  • Pontos de paragem – Waypoints
  • Armazenamento em nuvem – Cloud
  • Programa – Software
  • Programas para Android – App
  • Pontos de Interesse – POIs
  • Actividades ao ar livre – Outdoor
  • Fora-de-estrada – Offroad
  • Processador – CPU
  • Placa gráfica – GPU

Características técnicas:

A primeira impressão quando se paga no Overlander é o quão leve é quando comparado com outros GPS Garmin, por exemplo o GPSMAP 276CX. É bastante bem construído, com rebordos grossos em borracha conferindo maior resistência que um tablet comum. É, no entanto, bastante mais volumoso. Infelizmente não é protegido contra água, apenas apresenta protecção contra pó e areia (IP5X) e contra quedas (MIL-STD-810).
 
  • Sistema Android 6.01.
  • Ecrã de 7 polegadas.
  • Suporte magnético compatível com RAM.
  • Mapa City Navigator para Europa, África e Médio oriente com actualização gratuita.
  • Mapa topográfico calibrado com altitude baseado no OSM com actualização gratuita.
  • Imagens satélite Birdseye com subscrição vitalícia.
  • Navegação offline.
  • Mapas e software actualizável por Wifi.
  • Informação e alertas de radares, zonas escolares, velocidade e outros.
  • Informação de trânsito nos países compatíveis.
  • Optimização de rotas tendo em conta o tamanho do veículo (para auto-caravanas e atrelados)
  • Base de dados (POIs) do Tripadvisor, Fourquare, ACSI, Campercontact, TrailerPark e IOverlander.
  • Bússola electrónica e altímetro barométrico.
  • Inclinómetro.
  • Memória interna de 64GB expansível com cartão SD.
  • Compatível com GPS, GLONAS e GALILEU.
  • Sincronização dos tracks e waypoints em tempo real com a cloud Garmin Explore.
  • Possibilidade de exportar tracks e waypoints em gpx (formato comum de tracks e waypoints) para o PC ou tablet.
  • Compatível com câmara de marcha-atrás Garmin BC-35.
Parte de trás com o encaixe para o suporte magnético ao centro, os botões de volume à esquerda e o o botão de ligar/desligar/suspender em baixo.
Tampa de borracha que protege do pó as ligações micro USB, cartão microSD e auscultadores.
O suporte magnético do Overlander. Muito bem concebido. O melhor suporte de GPS que já vi!

O Andro-Garmin

Assim que se liga o aparelho, aparece uma série de atalhos onde se destaca o Drive e o Explore. À volta, outros atalhos para diversas Apps e funções. À primeira vista parece o ecrã principal tradicional de um GPS Garmin com os vários aplicativos, mas depois de perceber a organização do mesmo, apercebi-me que todo este menu é personalizável como se de um tablet se tratasse. O Drive e o Explore são efectivamente os dois modos de navegação do GPS, na realidade dois Apps distintos.

O Drive, assemelha-se aos GPS Garmin Drive ou Zumo e é fundamentalmente o App de navegação turn-by-turn (navegação com indicações), tendo o ecrã principal uma série de informações que podem ser escolhidas entre velocidade, distância ao destino, POIs próximos, trânsito, altitude, entre outras. Além da vulgar pesquisa por endereço, POIs, etc, comuns a este tipo de App, acrescenta algumas opções de navegação como é costume nos Garmin outdoor, como iremos ver na parte 3 do artigo.

A grande novidade é o Explore. Neste App, totalmente separado do Drive mas que se relacionam como veremos mais à frente, é o local para gestão de tracks, waypoints e rotas, e sincronização com a cloud Garmin Explore. Neste aplicativo, que à primeira vista pode parecer redundante face ao Drive, tem algumas diferenças muito bem vindas e que fazem toda a diferença no planeamento e navegação offroad.

Ecrã inícial com o Drive e o Explore em grande plano e os atalhos para outras Apps ou funções personalizáveis.
Menu das Apps instaladas onde, tal como num tablet, ficam os atalhos para as mesmas.

Fica em baixo um descritivo dos outros Apps mais importantes que vem de origem:

  • Altímetro com barómetro – Permite obter altitude independente do GPS e facilmente compará-las.
  • Bússola electrónica – Especialmente interessante permitindo ter sempre uma noção real da direcção que estamos a tomar.
  • Track Recorder – marcação de trajectos (tracks)
  • Inclinação e balanço – Para alguns imprescindível no offroad, para outros eu incluído, uma ferramenta perigosa. Mais vale ter medo e voltar para trás quando sentimos que está muito inclinado do que achar que passa com 40º de inclinação porque diz nas especificações e depois dá-se o desastre!
  • Vista traseira (quando usado com a câmara BC-35) – tenho instalado e além de a câmara ser de boa qualidade, o sistema funciona bem. Por vezes tem algum atraso para aparecer imagem, mas nada de grave.
  • Emparelhamento com Inreach – Se queremos sincronizar o Inreach com o Overlander de modo a receber e enviar as mensagens através do Overlander, é opção bastante prática. Quando sincronizamos o Inreach e activamos o rastreamento, este fica ligado ao Track Recorder do Overlander, ou seja, quando um pára de gravar o outro também o faz. Na prática depois de experimentar, preferi manter o Inreach independente de modo a ter sempre o rastreamento ligado. Mais à frente irei falar um pouco sobre as vantagens do Inreach.

Mas sendo sistema Android onde anda a Playstore? Ou qualquer outra loja de Apps! Não tem, mas como a própria Garmin indica, é possível instalar Apps manualmente, mas ao qual a Garmin não dá qualquer suporte como seria de esperar. A instalação manual é simples, temos de descarregar o ficheiro Apk do site oficial ou de lojas de App gratuitas (Apkpure por exemplo) e executar. No meu caso os que considero essenciais são os seguintes:

  • Firefox (navegador de Internet que uso e onde tenho sincronizados marcadores)
  • Oruxmaps (App favorito de navegação offroad)
  • Google Maps (especialmente útil para procura de POIs e visualização de trânsito)
  • Amazon Store (para instalação do Locus Pro)
  • Locus Pro (App de navegação off-road)
  • X-plore (explorador de ficheiros com sincronização com várias clouds para backup de tracks e waypoints quando a sincronização da Garmin não funciona!)
  • Aida64 (App de análise ao hardware)

Este último tem o objectivo de perceber que hardware tem este aparelho. Dado que a Garmin não divulga essas informações tinha curiosidade em saber e então temos:

  • Cpu: Quadcore 4x ARM Cortex-A53 a 1430Mhz
  • Memória Ram: 2Gb Ram
  • Gráfica: Mali-T720 a 350Mhz
  • Resolução: 1024×600
  • Bateria: não encontrei capacidade, mas dura menos de 2h em uso.

O hardware, quando comparado com tablets e telemóveis de 2019 é ultrapassado tendo em conta o valor do aparelho. É um conjunto CPU/GPU de 2015 com sistema operativo da época. No entanto, é preciso ter em conta que grande parte do processamento do CPU e GPU é para processar os pixéis no ecrã e neste caso apenas tem de lidar com uma resolução muito inferior, o que pode explicar a adequada performance. No entanto está longe da performance de um tablet de média gama de 2019. A autonomia da bateria, sendo este um aparelho para usar no veículo quase exclusivamente é adequada a esse fim. Quando em suspensão o aparelho quase não consome bateria aguentando mais de uma noite sem problema.

Neste vídeo, mostro alguns Apps do Overlander. Começo com o Google Maps a mostrar o trânsito (instalado manualmente como refiro antes), depois o ecrã com os seguintes Apps: Altímetro, barómetro e bússola; Inclinação e balanço; e Track recorder . No fim mostro o menu onde estão todos os Apps instalados e o atalho para as definições.

Preparação da viagem

As Apps

Após os testes iniciais, tomámos a decisão de fazer a viagem a Espanha com o Overlander como único GPS de navegação em viagem. Levamos também um GPSMAP 276CX colado ao vidro só a marcar o track, não vá a coisa correr mal. Em termos de usabilidade decidi que, a App Drive com os mapas City Navigator ficaria responsável pela navegação offline em estrada e procura de POIs, o Explore seria a App de navegação offroad principal com o mapa topográfico, onde iríamos seguir os tracks e waypoints marcados antecipadamente. O Orux, a 2º App de navegação offroad, com imagens satélite também elas criadas antecipadamente. Quando necessário procurar algum POI que não existisse na base de dados da Garmin, usamos o Google Maps através de Wifi partilhado de um ponto móvel do telemóvel. A marcação de tracks e waypoints seria na App da Garmin e como backup no Orux. Dado a quantidade de offroad desta viagem, afinal atravessamos os Pirinéus e parte da Espanha central por caminhos e pistas, era fundamental poder levar os percursos todos no GPS. E ainda para mais, porque decidimos não levar portátil desta vez.

Importação de percursos, rotas e pontos

Existem três formas de colocar tracks, rotas e waypoints no Overlander: pela forma tradicional ligando o aparelho ao PC e copiando manualmente os ficheiros GPX para a pasta Garmin/GPX, através do Basecamp ou através da cloud Garmin Explore.

Forma tradicional:

  1. Ligar o Overlander ao PC.
  2. No explorador vai aparecer a memória interna e o cartão microSD, caso esteja instalado. Abrir pasta Garmin e de seguida a pasta GPX. Se não existirem temos de criar.
  3. Copiar para a pasta GPX os Tracks, waypoints e rotas. Tem de estar no formato gpx para o Overlander reconhecer.
  4. No aparelho, abrir o Explore, Biblioteca e clicar em “Importar para o Explore”.
  5. Escolher o ficheiro a importar e escolher ou criar a colecção onde se pretende colocar os tracks/rotas/waypoints. Se o ficheiro for grande demora um pouco mas espera-se que ele importa.

Através do Basecamp:

  1. Primeiro que tudo organizar os tracks, rotas e waypoints em listas e tudo numa pasta.
  2. Ligar o Overlander ao PC
  3. Arrastar a pasta ou a lista que criamos para o armazenamento interno ou cartão SD.
  4. Na App Explore, ir à Biblioteca e de seguida “Importar para o Explore”.
  5. Se a pasta tiver sido copiada para o armazenamento interno procurar um ficheiro “Temp.gpx” e seleccionar.
  6. Se a pasta tiver sido copiada para o cartão microSD, os waypoints, rotas e tracks ficarão separados por ficheiros gpx individuais. É necessário seleccionar todos. Porquê esta diferença não sei ao certo. Será para existir duas formas de copiar os dados, tudo junto num ficheiro ou separado em ficheiro individuais?
  7. Escolher uma colecção existente ou criar uma nova e importar. Se o ficheiro for grande demora um pouco mas espera-se que ele importa.

Pela cloud Garmin Explore:

  1. Clicar no icone Importar e escolher a opção GPX, KML e KMZ
  2. Escolher se se pretende importar como track ou rotas, neste caso limitado a 200 pontos.
  3. Escolher a colecção a inserir ou criar uma nova.
  4. No Overlander, na App Explorer, se estiver a opção sincronizar ligada, após sincronização irá aparecer a colecção com os tracks/rotas/waypoints importados.

Algumas notas a ter em conta:

  • Se pretendemos manter os ícones dos waypoints, temos de os importar através da cloud Garmin Explore e alterá-los antes de realizar a sincronização com o Overlander. É possível alterar no Overlander mas tem de ser um a um.
  • Se o ficheiro de tracks for muito grande, o Garmin Explore não consegue importar. Tem de ser importado para o Overlander pelo método tradicional ou Basecamp.

Apesar de o método de importar dados pelo Basecamp ser idêntico a outros aparelhos Garmin, fico com a sensação de que com um bocadinho mais, a Garmin podia ter facilitado muito este processo dado as semelhanças entre Explore e Basecamp. Porque não, por exemplo, sincronizar uma colecção do Basecamp com o Overlander quando conectado ao mesmo de modo aos tracks, waypoints e rotas aparecerem logo no Explore, bem organizados pelas respetivas colecções e com os ícones correctos?

Exportação de tracks, pontos e rotas

Igualmente importante é saber como retirar os dados do aparelho. É muito idêntico à importação, mas no sentido oposto. Ou seja, exportar primeiro do Explore escolhendo a colecção e copiar o ficheiro para o PC (o nome do ficheiro será algo como “explore*.gpx”). Se for através do Basecamp automaticamente aparecem os tracks, waypoints e rotas exportadas. Só um pequeno pormenor importante, se exportarmos para o cartão microSD o ficheiro não vai para a pasta GPX como era suposto. Vai para a pasta Dirtbag/Files em Android/Data e claro não é reconhecido pelo Basecamp. Porquê? Não faço a mínima ideia. É uma daquelas coisas da Garmin que só eles percebem. E o tempo que demorei a descobrir isto…

Neste vídeo mostro como se importa tracks, waypoints ou rotas para o Overlander através do Basecamp utilizando a memória interna ou o cartão microSD.
Neste vídeo mostro como se exporta tracks, waypoints ou rotas para a memória interna ou cartão microSD e onde eles ficam guardados.

Colocação de mapas personalizados

Apesar de nesta viagem não termos utilizados mapas personalizados (.img e Birdseye) na App Drive, dado que usamos o Orux com imagens satélite, fica uma breve explicação de como proceder:

  1. Descarregar os ficheiros img (por exemplo da Opentopomaps).
  2. Ligar o Overlander ao PC e copiar os ficheiros para a pasta Garmin/Map da memória interna ou para a pasta Garmin do cartão microSD. Atenção que no cartão microSD os mapas não se colocam na pasta Map, é directamente na pasta garmin!
  3. Nas definições de navegação, ir a Meus mapas e seleccionar os mapas que queremos.
  4. A colocação de imagens Birdseye tem de ser através do Basecamp. Criar as imagens e depois arrastar para a memória interna ou cartão microSD.
  5. Para usar as imagens Birdseye no Overlander, nas definições de navegação, ir a Camadas de mapa e activar Mapas personalizados.

É também possível importar mapas para o Drive através do Basecamp se estiverem desbloqueados. Infelizmente e como será discutido na 2ª parte da review, o Explore não aceita mapas personalizados.

Neste vídeo mostro como se coloca mapas no formato garmin img na App Drive utilizando a memória interna ou o cartão microSD.
Neste vídeo, mostro como se coloca imagens satélite Birdseye na App Drive utilizando a memória interna ou o cartão microSD.

Preparar o Explore e o Orux

Após colocar os tracks e waypoints no Explore, pude constatar a real capacidade do aparelho para gerir tracks e waypoints. O protejo que iríamos fazer continha cerca de 89 percursos e 27 pontos previamente marcados, o que dava cerca de 6000kms de percursos. E tudo isto foi importado facilmente quer pelo Basecamp, quer pela cloud Garmin Explore. Neste último tive que reduzir a quantidade de pontos dos tracks maiores. Além disto, pude verificar que era possivel ver todos os tracks e waypoints directamente no mapa do Explore e sem grandes perdas de performance. Faltava saber como era a performance em campo que vou falar mais à frente.

Preparado o Explore, faltava o Oruxmaps com imagens satélite. Aqui tinha alguns receios se aguentaria este tipo de mapas. Afinal eram 10 mapas com zoom 16, com tamanhos entre 700Mb e 900Mb. Para minha surpresa, mesmo com os 89 percursos abertos, no breve teste realizado antes da viagem parece funcionar bem, sem quebras. É claro que aqui o facto de ter um ecrã de baixa resolução ajuda, menos pixéis para processar, mas, no entanto, não é comparável a um telemóvel ou tablet recente! Principalmente se usar o Locus que é mais exigente.

Ainda faltavam dois pormenores. Fixar o Overlander ao tablier através do suporte RAM e montar a câmara de marcha atrás compatível apenas com a original Garmin BC-35. Com um pequeno teste pude verificar que era possível manter o Explore e o Orux a marcar tracks em simultâneo sem quebras e que podia facilmente passar de um aplicativo para o outro. Estávamos prontos para o teste final, a viagem!

Neste vídeo, mostro que é possível marcação de tracks e multitasking entre o Explore, Drive, Orux e Locus. E ainda por cima disto a câmara de marcha atrás é acionada sem qualquer interrupção.

Navegação offline por estrada

A primeira experiência com o Overlander foi a navegação por estrada usando o Drive. Tivemos de atravessar toda a Península Ibérica até Llança, pernoitando a meio caminho e foi excelente oportunidade para experimentar a navegação Offline.

Definições de navegação

As definições de navegação encontram-se num menu Navegação nas definições gerais do Android. É aqui que podemos encontrar definições importantes relacionadas com perfil do veículo (podemos criar um perfil adequado ao nosso meio de transporte, autocaravana, reboque, etc), mapa, rotas e trânsito (ver figuras abaixo). O restante das definições são genéricas do Android e sem necessidade de alterar.

O Drive

O especto mais importante dos sistemas de navegação, mais do que as funcionalidades que tem, é a facilidade de uso quando em condução e a capacidade de informar e procurar informação pertinente à nossa viagem. Neste aspeto o Drive do Overlander é muito bom. Ecrã de boas dimensões com todas as informações bem dimensionadas e facilmente legíveis, mesmo com sol de frente. Durante a navegação, seja numa rota ou não, atempadamente apresenta informação de trânsito como limites de velocidade, radares, escolas, passagem de níveis, entre outras. Mesmo quando não estamos no ecrã do Drive em primeiro plano, por exemplo se estivermos no Explore ou noutra App, estas informações continuam a ser apresentadas na barra de informações com um sinal sonoro. Mas nada disto serve se a App não for rápida e fluída e sendo um GPS Garmin tinha algumas reservas na prática. Felizmente e apesar do hardware obsoleto, o Drive é bastante responsivo inclusive a  funcionalidade táctil com comandos de zoom “in and out” e arrastamento do mapa que são realizados sem pausas. Mesmo com mapas personalizados ou sobreposição de imagens satélite da Birdseye. Não está ao nível de uma App idêntica num tablet ou telemóvel recente, mas é significativamente mais fluído que um GPS Garmin Montana e anteriores.

Neste vídeo, começo com um pequeno exemplo das indicações no mapa ao longo da navegação. Depois mostro a velocidade de leitura dos mapas em três variantes: City Navigator, Topo Active e Birdseye. E sempre com alguns tracks e waypoints no mapa. De notar o atalho para alteração de mapas que infelizmente só funciona para mapas da Garmin. E no minuto 0.40 reparem que o track a azul não continua por Espanha ao contrário dos waypoints. É a limitação do Drive. Só mostra tracks próximos da nossa localização, se bem que até distancias grandes.

É inevitável a comparação com outras soluções de navegação, nomeadamente as imensas aplicações que existem para Android em formato offline e online. A principal diferença entre as Apps de navegação online e offline, reside na velocidade de cálculo de rota e na procura de POIs. Isto acontece porque estas aplicações usam motores de busca para pesquisa que permitem procurar quase todo o tipo de locais que nas aplicações offline não constam nas suas bases de dados. Claro que estas aplicações necessitam de internet e portanto só fazem sentido em locais com rede móvel. Apesar de o funcionamento geral ser idêntico entre todas elas existem alguns detalhes diferenciadores.

Breve descrição das principais informações e possibilidades de personalização do ecrã de mapa do Drive. 

  • Atalho para alteração de mapas – Possibilidade de alterar facilmente os mapas entre o City Navigator, Topo Active e Birdseye (depois da actualização para a versão 4.80) (ver vídeo acima!).
  • Visualização de tracks e waypoints do Explore e do registo de viagem (se ativado) – Como veremos na secção offroad, o Drive, apesar de ser um navegador completo de estrada é também um navegador offroad com tracks, waypoints e rotas visualizáveis (ver vídeo acima!).
  • Campos de informações de viagem muito completo  – Também são personalizáveis com tempos e distâncias até destino, direcção, hora e elevação (ver vídeo abaixo!).
  • Mapa de elevação incluído – Dá uma dimensão mais realista à navegação em 3D.
  • Possibilidade de colocar mapas personalizados – Uma das grandes vantagens da navegação Garmin. Os mapas personalizados têm de ser em formato próprio, extensão IMG e colocados na pasta Garmin/Maps como já foi explicado na 1ª parte do artigo.
  • Inclusão de mapas da Europa e de toda a África – Com actualizações gratuitas.
  • Personalização de zona lateral direita do ecrã de mapa com informações – Tem 8 informações que podem ser mostradas neste local; cidades próximas, informação de viagem (personalizável entre 23 dados possíveis), trânsito (se compatível com país), rastreamento (ligar ou desligar o Track Recorder), localizações próximas (ver à frente), elevação da rota com aviso de passagens íngremes, próximas viragens e inclinação e balanço (ver vídeo abaixo!).
  • Personalização de localizações próximas – Pode apresentar 3 categorias de POIs no ecrã de mapa, muito útil já que vemos em tempo real e durante a navegação esses mesmo POIs escolhidos (ver vídeo abaixo!).

A pesquisa de POIs e a navegação em rotas dos sistemas de navegação é uma das ferramentas mais importantes dos navegadores e o Drive tem algumas hipóteses bastante interessantes:

Esta talvez seja a opção de pesquisa mais interessante. Temos duas formas de o fazer: Podemos situar o ecrã de mapa em qualquer ponto e pedir uma pesquisa pela lista de POIs que aparece. Automaticamente aparecem os POIs dessa categoria nessa zona do mapa. Pode não mostrar todos se o zoom out for muito elevado; Ou então na pesquisa por categorias, depois de escolhermos a categoria, seleccionar o ícone da direita e mover o mapa onde queremos pesquisar essa categoria. Aparecem todos os POIs dessa categoria escolhida no ecrã de mapa.

Especialmente importante quando procuramos um determinado POI ao longo duma viagem e queremos controlar o tempo e distancia até esse POI.

Alem da pesquisa mais comum por endereço, cidades, cruzamentos, categorias (bombas de combustível, restaurantes, atracções, etc), pesquisa recente, coordenadas e locais guardados, ainda acrescenta: Pesquisa directa no Explore por rotas, tracks, waypoints ou colecções; Procura de POIs específicos para campismo, caravanismo e overland – ACSI, iOverlander, TripAdvisor, Campercontact, Trailer’s Park, Foursquare e TRacks4Africa.

Em comparação com outros aplicativos, por exemplo o TomTom, pude constatar que a base de dados de POIs do Garmin é muito completa. Recordo-me por exemplo de procurarmos uma bomba de combustível em Badajoz, que tinha um preço muito em conta e no Tomtom não existia mas existia no Overlander. Além disso os POIs estão bastante actualizados incluindo os radares de velocidade.

Cada POI tem informações especificas incluindo morada e número de telefone se for caso disso. Mostra também o tempo de chegada e duas rotas possíveis. Se estiver uma rota ativa, permite adicionar à rota como próximo ponto de rota ou último. Tem também a possibilidade de mostrar o local no Explore.

Quando navegamos para um POI ou para rota personalizada, o Drive pode apresentar até duas rotas possíveis que podem ser editadas antes ou durante a navegação. Reparem nos POIs da Tripadvisor incluídos com respectivas informações!

Possibilidade de personalizar uma rota, quer evitando estradas e zonas especificas do mapa, quer adicionando pontos de passagem no mapa bastando para isso tocar no local a adicionar. Esta possibilidade alem de muito prática, permite alterar um rota já calculada a gosto clicando em qualquer ponto do mapa ou apagando qualquer um dos ponto de rota. Automaticamente recalcula a nova rota e diz quanto tempo e distância é adicionado face à rota original.

Como veremos no capítulo offroad, sempre que pretendemos navegar para um waypoint, track ou rota personalizada, o Explore remete para o Drive essa função automaticamente.

Sendo o Drive uma App de funcionamento offline, não tem as capacidades de pesquisa de POIs como as Apps de navegação online como o Google Maps. Mas é aqui que entra a vantagem do sistema operativo Android. Podemos descarregar essa aplicação e fica pronta a usar quando é preciso procurar um ponto de interesse mais refundido. Um exemplo prático em viagem é procura de locais específicos para visitar que, além de muitos deles não existirem na base de dados POIs, quando procuramos no Google Maps, aparece logo uma série de informações úteis e mesmo possibilidade de pesquisa numa navegador de internet. Nas nossas viagems éalgo que usamos imenso quando procuramos informações sobre capelas, montanhas e parques naturais e outros locais a visitar. Não esquecer que o Overlander não tem forma de adicionar cartão de dados móveis. A única forma de aceso à internet é via WiFi seja com um Hotspot móvel ou criando um Hotspot no telemóvel. É claro que isto é algo que podemos fazer no telemóvel ou tablet mas a vantagem do Overlander é no mesmo aparelho, que já está bem fixo no tablier e tem, além do mais, um excelente ecrã, podermos ter todas estas informações duma forma rápida e acessível.

Apesar de ser um App de navegação muito prático e com funcionalidades muito interessantes, alguns pormenores podem ser melhorados:

  • A informação de trânsito não é tão prática e funcional como em outros sistemas – Necessita de cabo próprio que vem com a câmera de macha-atrás e não funciona em todos os países, nomeadamente Portugal (estranhamente já que o ficheiro com as configurações de trânsito contem informações sobre Portugal). Em Espanha sim, pude usar, mas não é tão eficaz como os sistemas via internet que mostram no ecrã de mapa as estradas congestionadas como faz o TomTom ou o Google Maps. No Drive temos de esperar que pesquise e mostre essa informação apenas em zonas próximas à nossa rota (ver vídeo abaixo!).
  • O cálculo de rotas dá menos alternativas (só duas no máximo) – Comparado com outros navegadores como o Tomtom que mostram 3 alternativas (ver vídeo abaixo!).
  • Para alteração de parâmetros de rota é necessário ir às definições – É pouco prático e demorado alterar parâmetros como portagens de modo a comparar tempos de chegada em rotas. Curioso que no Garmin Monterra, bem mais antigo, estas modificações de rota como portagens, fazem-se sem sair do ecrã de mapa com 2/3 clicks no ecrã, o que no Overlander precisa de pelo menos 7 clicks entre menus. Deveria de ter pelo menos um atalho personalizavel no ecrã de modificação de rota já falado!
  • Falta de atalho para alternar para mapas personalizados – Apesar de já ser possível alterar mapas directamente no Drive sem ter de ir ás definições com o último firmware, continua a ser necessário se pretendemos alterar para um mapa personalizado como os topo da OSM. Podia perfeitamente ser adicionado um atalho para mapas personalizados.
Reparem nos pontinhos vermelhos no Tomtom, indicação de zonas congestionadas! No Drive, além de não funcionar em Portugal, só aparece a informação em zonas próximas a uma rota. Este sistema do Tomtom é muito mais prático e informativo.

Gestão de dados com o Explore

Como referido na 1ª parte do artigo, nos primeiros testes ainda em casa, já tinha percebido que o Explore tinha uma enorme capacidade para gerir grandes quantidades de dados, mais do que em qualquer outro GPS Garmin que tenha experimentado. Não só mais, mas principalmente melhor. Mas uma coisa é experimentar alguns dias em casa, outra coisa é 10h por dia durante quase 1 mês de viagem. E sabendo que não tinha o portátil a auxiliar! Os 89 tracks iniciais e outros quantos waypoints, ao longo da viagem foram aumentando, e mais ainda depois de ter chegado a casa e adicionado outros tantos. E o Explore continuou a funcionar sem qualquer problema mostrando todos os dados sem qualquer problema, embora notando-se um pouco mais lento no movimento do mapa.

Ecrã de mapa do Explore, neste caso com centenas de tracks visíveis e outros tantos waypoints.

O Explore é a grande novidade deste aparelho e a App que faz realmente a diferença para os restantes GPS Garmin. No fundo, substitui os gestores de tracks, waypoints e rotas comuns aos GPS Garmin outdoor por um único App onde fazemos essa gestão, mas sempre com um mapa topográfico como fundo. Posso mesmo dizer que de todos os GPS e Apps que já usei, este é definitivamente o mais simples e prático para gestão de tracks, waypoints e rotas. Nem mesmo o Oruxmaps, que tem sido o meu companheiro infalível de qualquer viagem nos últimos anos, é tão prático ou intuitivo de usar, apesar de mais completo sem dúvida! Pena que, como veremos abaixo, faltem algumas coisas para ser uma verdadeira alternativa ao Oruxmaps. Em termos de performance, o primeiro carregamento do mapa na zona onde estamos, quando abrimos o Explore, demora um pouco mais a aparecer, mas nada de preocupante. Não é tão rápido como o Drive, principalmente quando temos muitos tracks e waypoints visíveis no mapa mas nada interfere com a usabilidade.

Na parte de baixo do Explore tempos 4 separadores que dão acesso a 4 secções diferentes: Mapa, Biblioteca, Dispositivos e Conta. Segue abaixo uma breve descrição de cada uma destas secções:

Mapa – Ecrã principal onde navegamos e exploramos o mapa.

  • Camadas do mapa e filtro de colecções – Na parte esquerda do mapa, temos um primeiro atalho onde podemos escolher que mapas e colecções queremos apresentar e ainda o nível de detalhe do mapa. É também aqui que podemos gerir os mapas instalados e descarregar mapas conforme a zona ou waypoint pretendido. O filtro de colecções é, quanto a mim, uma das principais vantagens do Overlander e que faz toda a diferença quando temos muitos dados a gerir. Se quiser colocar visíveis 50 tracks por exemplo, basta colocá-los todos numa colecção e torná-la visível. O mesmo se passa com waypoints e rotas. Muito diferente de outros GPS como a serie Montana onde necessitamos de tornar visível cada track um a um!
  • Adicionar waypoint ou rota – logo abaixo do atalho para as camadas e filtros, temos um botão para criar um waypoint na nossa localização ou criar uma rota. Quando falar da navegação offroad vou explicar em mais detalhe esta parte.
  • Atalho para o App Drive – Do lado direito do mapa, este botão permite passar rapidamente para o Drive tal como também existe essa opção no Drive.
  • Botão para centralizar mapa na nossa localização – Logo abaixo do atalho para o Drive, este botão de enorme importância, permite que o mapa se centralize na nossa posição após ter mexido no mesmo para procurar caminhos, waypoints ou outros. Tantas vezes enquanto explorávamos uma zona desconhecida e precisava de ver o que existe mais a frente ou se o caminho tem ou não saída. E com um simples toque no ecrã volta a centrar na nossa localização e mantém centrado durante andamento. Este botão é comum a praticamente todos os navegadores, incluído o Drive.
  • Navegação Track Up ou Norte Up – Quando em andamento aparece também este botão do lado direito do mapa que permite alternar o modo de navegação. Importante para quem prefere navegar com Track Up, como é comum nos navegadores de estrada, mas quando exploramos o mapa manualmente mudar para Norte Up.
  • Zoom, escala e informações de viagem – Podem ou não ser apresentados no mapa escolhendo essa opção no separador Conta. A informação de viagem inclui direcção, elevação e velocidade.

Biblioteca – Aqui é onde fazemos a gestão dos dados.

  • Possibilidade de mostrar dados independentemente de estarem em colecções ou não – Além de podermos escolher ver todos os dados de um determinado tipo, todos os tracks, rotas ou waypoints, é também possível ver os dados que não estão em colecções, em Desorganizados e ver assim todos os dados do Explore.
  • Importar e exportar dados como mostrado na 1º parte do artigo.
  • Criar colecção nova.
  • Coleções – Aqui é onde vemos os dados, sejam tracks, waypoints ou rotas, organizados por colecções. Quando clicamos numa colecção, aparece o mapa com os dados que estão nessa colecção. Ainda é possível ver os dados por categorias – todos, tracks, waypoints ou rotas – ou ordena-los por nome, data ou distância no botão classificar. Ainda temos a possibilidade de adicionar qualquer outro dado de outra colecção a esta onde estamos (botão +adicionar) ou o inverso, adicionar um dado desta colecção a outra qualquer ou apagar esse dado (botão Editar).
  • Edição de colecções – No canto superior direito temos o botão Editar que permite renomear ou excluir colecções.

Dispositivos e conta – Emparelhamento e sincronização

No separador dispositivos podemos sincronizar o Explore do Overlander com outros dispositivos compatíveis através de Bluetooth, algo que não cheguei a utilizar. No separador conta é onde escolhemos sincronizar ou não com a conta Garmin os nossos dados e fazemos o login ou loggoff da conta Garmin. Como irei falar abaixo é preciso cuidado ao fazer loggof! É também aqui que calibramos a bússola electrónica e como referi anteriormente, activamos ou não algumas informações do ecrã do mapa.

A sincronização com a Cloud Garmin Explore é outra das vantagens implementadas neste aparelho. Sempre que esteja ligado por Wifi, o Overlander terá sempre os dados do Explore sincronizados com a Cloud. O que significa que em caso de perda do aparelho ou de se danificar numa viagem, desde que se tenha sincronizado anteriormente não se perde os dados. No entanto como veremos abaixo, este sistema não é isento de falhas!

Navegação offroad

Depois da sempre estafante travessia de Espanha, finalmente começamos a parte interessante das férias. Os Pirinéus e Espanha central em fora-de-estrada! Foram mais de 20 dias por pistas e caminhos, montes e vales, o terreno ideal para experimentar o Overlander na vertente mais aventureira.

Como é habitual, os tracks são marcados em casa com o auxilio do Google Earth e em viagem seguimos, manualmente, o traçado ao longo do mapa. No Overlander os tracks, ao contrário das rotas como veremos a seguir, seguem-se manualmente e sem qualquer tipo de indicações. Para nós e na nossa forma de viajar, não faz sequer sentido navegar com indicações. Muito raramente temos apenas um track na zona onde estamos, crio sempre alternativas e depois, uma coisa é o que vemos num mapa ou imagem de satélite em casa, outra coisa é no terreno em directo. Inevitavelmente temos de arranjar alternativas ou quantas vezes o que marcamos não corresponde à realidade. Em pequenos passeio onde seguimos um track já validado por outros, poderá fazer sentido um rateamento em tracks, mas não fará tanto sentido numa viagem longa onde a exploração e a descoberta são o prato principal, pelo menos na minha opinião claro.

No Explore

A primeira coisa que faço logo que entramos em caminhos de terra batida é colocar o mapa de Explore em North Up. Seja a seguir um track ou a navegar à bússola, tenho os mapas sempre neste modo. A orientação no mapa faz-se melhor, sei sempre onde estou e para onde estou a ir. Track Up, como uso no Drive é óptimo para seguir rotas sem a preocupação de onde estamos ou por onde navegamos. A segunda coisa a fazer é organizar os tracks por cores, ou seja colocar o track principal com cor diferente das alternativas. Para realizar essa e outras alterações basta seleccionar um track no mapa ou na colecção e aparecem várias informações:

  • Personalização de tracks:
    1. Data de criação e extensão.
    2. Nome e cor de apresentação no mapa e possibilidade de alteração.
    3. Apagar track ou escolher a colecção onde fica guardado.
    4. Gráfico com elevação total e máxima.
    5. Mapas disponíveis na zona do track.
    6. Navegação até ao início do track através do Drive (não faz navegação pelo track!).

Sempre que chegamos a um local de interesse ou de pernoita, marcamos um waypoint. Para tal temos duas hipóteses: ou através do botão + do lado esquerdo do mapa ou clicando no próprio mapa e seleccionar “criar ponto de parada” (waypoint).

  • Personalização de waypoints:
    1. Data de criação.
    2. Nome e ícone e possibilidade de alteração.
    3. Alterar coordenadas e colecção onde fica guardado.
    4. Apagar ponto.
    5. Mapas disponíveis neste local
    6. Navegação até este ponto através do Drive.

Quando seleccionamos um ponto no mapa, de referir que aparecem logo várias informações desse local. Além da possibilidade de criar um waypoint, diz-nos a altitude e as coordenadas e o que se encontra por perto, sejam tracks, waypoints ou rotas nossas ou estradas e localidades do mapa.

Outra forma de navegação offroad é através de rotas pré-construídas no Basecamp ou no próprio Explore do Overlander. Se criarmos uma rota no PC temos de importar o ficheiro GPX, de uma das formas tal como explicado na 1ª parte do artigo. Depois de importado podemos facilmente personalizar e editar.

  • Personalização de rotas – Quando seleccionamos uma rota aparecem várias informações e hipóteses de personalização:
    1. Data de criação e extensão da mesma.
    2. Nome e cor de apresentação no mapa e possibilidade de alteração.
    3. Apagar rota ou escolher a colecção onde fica guardado.
    4. Gráfico com elevação total e máxima.
    5. Mapas disponíveis na zona da rota.
    6. Navegação até à rota através do Drive e posterior navegação na rota.
    7. Edição da rota que permite remover, adicionar e mover pontos de rota em qualquer ponto da rota. Ver abaixo.

Tal como na edição de rota, se criarmos uma rota no Explore através do botão + no separador mapa, aparece um outro ecrã com um mapa e indicações para criar ou modificar a rota. Basta seleccionar o que pretendemos, criar, editar ou apagar pontos de rota. Atenção que a criação de pontos intermédios entre dois pontos já criados é possível mas tem de ser mesmo por cima da rota e entre os dois pontos! Se pretendemos unir os pontos de rota a waypoints próximos temos essa opção na ferradura no canto superior direito. Ter em atenção que para rotas com muitos pontos de navegação (mais de 50), o aparelho pode não realizar o roteamento da rota com indicações. Ao invés fica apenas a linhas magenta entre os pontos. Não consegui perceber qual a quantidade exacta para isto acontecer mas anda à volta dos 50 pontos de rota. É de estranhar quando o limite indicado é de 200 pontos!

Quando pedimos para navegar a rota, se a rota for grande, podemos ter de esperar algum tempo até ele criar o roteamento que é indicado por uma mensagem no ecrã. Depois disso é escolher onde queremos começar e seguir as indicações. O método de cálculo e restrições à navegação são as mesmas do Drive portanto se o objectivo é circular por caminhos mais pequenos ou pistas, pode ser preferível alterar o método de calculo para “distância mais curta” nas definições. De notar que quando navegamos com indicações, seja directamente pelo Drive ou por uma rota personalizada, o desenho da rota também aparece no mapa do Explore.

E o menos bom do Explore!

  • Como já foi referido antes, não é possível colocar mapas personalizados no Explore – Quanto a mim é no Explore que mais falta faz os mapas personalizados. Não faz de todo sentido poder colocá-los no Drive e não aqui onde é suposto fazer a navegação fora-de-estrada.
  • Na Europa apenas fornece o mapa OSM e o Digital Atlas of the World que não parece acrescentar nada – Em comparação, nos EUA, além dos mapas topográficos, ainda tem imagens aéreas e outros. Além disso o mapa disponibilizado na Europa tem fraca informação em pontos de interesse quando comparado com o OSM normal.
  • Edição de tracks – Apesar de não ser habitual nos GPS, a possibilidade de criar e editar tracks, como existe nas rotas, era uma adição muito bem-vinda. Afinal Apps como o Oruxmaps permitem isto há algum tempo.
  • Aparente limitação de 50 pontos em rotas – Se criarmos rotas com muito pontos, acima dos 50, o Overlander não cria uma rota roteável mas apenas une os pontos. No entanto GPS como o Montana conseguem navegar com rotas idênticas sem problema.
  • Sincronização não muito fiável – A sincronização entre o Explore do Overlander e a Cloud Garmin Explore é especialmente importante de modo a ser fácil e prático salvar e descarregar tracks, waypoints e rotas. Apesar de na maioria das vezes funcionar correctamente, já aconteceu com muitos dados a sincronizar em ambos os lados, não conseguir completar a  sincronização sem razão aparente. Pude constatar isso a meio da viagem onde deixou de conseguir sincronizar os dados. Não voltou a acontecer e pode já ter sido resolvido com o último firmware.
  • Logout da conta Garmin – Se fizermos loggout da conta garmin sem ter salvo ou sincronizado os nossos tracks, waypoints e rotas, é tudo apagado. Só fica o que foi sincronizado anteriormente. Importante não fazer loggout sem ter salvo ou sincronizado todos os dados. Porque razão não fica uma cópia arquivada no aparelho? Devia de ser possível restaurar os dados depois de um novo login com a mesma conta! No meu caso aprendi por experiência!

Track recorder

Como é suposto, o Overlander também pode marcar tracks. Mas mais uma vez existe uma grande diferença para os demais Garmins. No Overlander, podemos activar o registo de viagem, que é o modo de marcação de tracks idêntico aos outros GPS Garmin (ver definições de navegação) ou então marcar tracks manualmente através da App dedicada ao efeito o Track Recorder. Apesar de ser uma App separada do Explore, está interligada com ele. Podemos começar ou parar a marcação de tracks quando queremos e salvar o track, após o qual remete automaticamente para o Explore mostrando todo o track gravado no mapa. A partir daqui fica gravado na biblioteca do Explore e podemos alterar ou não a colecção onde pretendemos colocar o track , a cor ou nome e ver respectivas informações.  Pode parecer estranho o porquê de uma App dedicada, mas acaba por fazer sentido se pensarmos no funcionamento de um sistema operativo. Mesmo que o Explore seja fechado, ou se acontecer que sofra um crash, isto não afecta o Track Recorder. Se forçar a paragem do Explore por exemplo, o Track Recorder continua a funcionar e a marcar o track independentemente do Explore. De relembrar que o Drive permite colocar do lado direito do mapa, um atalho para o Track Tecorder que permite gerir a marcação de tracks muito facilmente e sem necessidade de sair do mapa. Muito útil e seria algo que podia estar também pressente no Explore!

Se o registo de viagem estiver activo, o Overlander marca um track sempre que o Overlander estiver ligado. Pode ou não ficar visível no mapa (ver definições de navegação) e fica salvo no ficheiro current.gpx e nos ficheiros gpx arquivados. Este ficheiro é automaticamente lido pelo Basecamp quando conectado ao Overlander ou pode ser importado para o Explore usando um explorador de ficheiros.

Navegação offroad no Drive

Como acontece tradicionalmente nos outros GPS Garmin, podemos fazer a navegação de tracks pelo Drive tal como no Explore. As funcionalidades são idênticas mas existem algumas diferenças que podem fazer preferir um ao outro:

  • O Drive permite colocar mapas personalizados ou outros mapas Garmin.
  • Os caminhos do Explore e o mapa em geral é mais fácil de navegar – Está muito bem conseguido nesse aspecto. O único contra são mesmo os pontos de interesse que são apenas visíveis em zoom muito elevado. No Drive depende dos mapas claro, mas os da Garmin não tem caminhos tão facilmente visíveis.
  • No Explore, quando clicamos no mapa, ele dá uma serie de informações sobre o local, altitude, tracks ou rotas que tenhamos por perto – No Drive apenas aparece informação sobre o local e de waypoints por perto.
  • No Explore, todos os dados das colecções activadas estão visíveis no mapa – No Drive apenas vemos os dados perto da nossa localização. Se bem que até uma grande distancia.
  • No Explore temos logo acesso às colecções e respectiva visibilidade – No Drive temos sempre de recorrer ao Explore para essas alterações.
  • O  Drive permite pesquisar POIs.
  • O Explore não faz navegação em rotas, só o Drive.

Na prática, acaba por não ser muito relevante as diferença entre eles dado ser muito fácil passar de um App para o outro através do atalho presente em ambos os Apps, como já referido. O melhor dos dois mundo é usar os dois para aquilo que cada um é melhor e mudar quando necessário. Esta é a principal característica que define o Overlander. É multifacetado e tem muitas formas de ser usado, mais ainda quando falar da navegação com Apps externas.

Navegação Orux

Como descrevi na introdução, além do Explore, usei o Oruxmaps para imagens satélite e marcação de tracks. Não é objecto deste artigo demonstrar o funcionamento do Orux mas resumidamente, é umas das mais completas App Gps para outdoor ou fora-de-estrada para o sistema Android. Não faz navegação como o Drive nem é suposto. É uma espécie de Explore mas super completo. Gestão e marcação de tracks à mão, visualização e descarregamento de mapas online, roteamento de tracks, backup de tracks para cartão SD, aceita uma panóplia de formatos de mapa incluído os IMGs da Garmin, entre muitas outras coisas. Muita coisa a Garmin podia aprender daqui para incluir no Explore do Overlander e noutros GPS! Esta solução também permite termos outros mapas diferentes para visualizar coisas que não estão presentes nos outros. Por exemplo as imagens satélite são ideais para vermos caminhos de terra que não estão incluídos nos mapas topográficos ou ver locais com boas hipóteses de pernoita. Mas em florestas densas, algo comum nos Pirinéus, é praticamente impossível distinguir caminhos de terra e nessas situações um bom mapa topográfico é imprescindível. No entanto o mapa do Explore praticamente não tem construções nem pontos de interesse e as imagens de satélite ou outro mapa topo dão imenso jeito para visualizar essas coisas em falta.

Uma das dúvidas que tinha era se o Overlander aguentaria com outros Apps em simultâneo com os Garmin, e isto durante horas e horas seguidas. A resposta não podia ser mais positiva. O Orux esteve sempre a trabalhar, sem pausa e com as imagens satélite carregadas. Aproveitei para experimentar algo diferente. O Orux só marcava os tracks em fora-de-estrada. Sempre que apanhávamos estrada suspendia a marcação e fiquei com uma forma fácil de obter a distância realizada em caminhos de terra. E mesmo com este constante multitasking nem uma única vez tive problemas ou falhas na marcação dos tracks.

Imagem do ecra de mapa do Orux com tracks da nossa viagem e o index de imagens satelite ao longo dos tracks. Uma das vantagens destes Apps.

Receção gps, suporte e resistência

Aqui geralmente é onde a Garmin ganha pontos e com o Overlander não é excepção. O suporte magnético, no meu caso montado numa bola RAM fixa ao tablier é fabuloso. O melhor suporte que já experimentei. Não sai do lugar nem perde ligação à corrente eléctrica seja lá qual for o estado do caminho e o melhor de tudo é que com uma mão retiramos o aparelho apenas puxando-o do local. Para colocar é exactamente igual, coloca-se no local e automaticamente fica fixo e ligado. Em termos de resistência, o Overlander tem tudo para aguentar as viagens mais duras. Bordas laterais grossas com borracha e ligação usb e cartão microSD protegidos com uma tampa de borracha que segundo as especificações é resistente ao pó.

Neste tipo de aparelhos, talvez o aspecto da resistência mais importante é a resistência ao calor e legibilidade do ecrã com sol directo. Como já tinha referido antes, o ecrã é de grande qualidade e perfeitamente legível com sol directo. No que toca ao aquecimento é praticamente inexistente. Por acaso, na nossa pickup Isuzu os aparelhos não estão muito expostos ao sol, mas numa pequena viagem pelo Algarve numa Volkwagen T3 mostrou a diferença entre o Overlander e um telemóvel recente. Ambos expostos ao sol, o telemóvel, que nem estava a ser usado, acusou problemas de aquecimento em carregamento enquanto que o Overlander, mesmo em uso, continuou como se nada fosse. Deve ser algo a ter em conta quando vamos para aqueles países mais quentes e em veículos sem ar condicionado!

Da recepção gps não tenho nada a apontar. Bem, sinceramente nem mesmo dos últimos telemóveis e tablets posso dizer algo. Funcionam todos bastante bem e para o uso que é todos esses sistemas são precisos o suficiente. Talvez em zonas de alta montanha ou florestas densas se note alguma diferença mas confesso que não é nada de perceptível.

Segurança e backup dos dados

Este é um aspecto quanto a mim bastante importante numa viagem, principiante daquelas longas de várias semanas. Por mais resistente e fiável que seja o aparelho todos eles podem falhar quando menos se espera. Curiosamente, nesta viagem temos um pequeno exemplo do que pode acontecer uma situação destas.

Pouco antes do fim da viagem, já estava irritado por não conseguir sincronizar os dados do Overlander, que decidi fazer loggout e reiniciar na esperança que a sincronização se realizasse. Como já expliquei antes, quando se faz loggout, tudo o que não está salvo ou sincronizado é apagado! E eu não sabia na altura. Resumindo, os milhares de kms de caminhos e locais maravilhosos por ande andámos pura e simplesmente desapareceram do Explore! Ainda tentei fazer uma pesquisa por directorias escondidas a ver se a Garmin teria guardado uma cópia em algum lugar e nada. Imaginem a minha cara de horror! Mas, felizmente, estava a marcar o track no Orux que o salva constantemente para o cartão SD. Não fosse isso e era uma situação muito triste para nós. Neste caso especifico, foi uma falha minha por desconhecer o que acontecia ao fazer loggout e uma falha da Garmin por permitir que isto aconteça sem criar uma cópia dos dados. Mas é algo que pode acontecer em qualquer aparelho se deixar de funcionar dum momento para o outro. Isto para mostrar o quanto é importante salvar os dados frequentemente e no caso do Overlander, uma grande vantagem deste sistema, em parte graças ao sistema Android. Tem efectivamente três formas de marcar tracks para o aparelho, duas para salvar waypoints e rotas, e duas possibilidades de sincronização de dados:

    1. Além do registo de viagem e do Track Recorder, como já falado, ainda podemos marcar tracks através do Android por outro App como o Oruxmaps ou o Locusmaps.
    2. Waypoints e rotas podem ser gravados pelo Explore e por Apps Android.
    3. Para sincronização dos dados, além da sincronização Garmin, podemos facilmente arranjar Apps que sincronizem pastas com clouds como o Onedrive ou Google Drive, mantendo sempre uma cópia dos nossos fora do aparelho, isto quando há rede móvel claro.

Nenhum outro GPS Garmin permite tantas formas diferentes de salvar nossos dados do GPS sem necessidade de portáteis ou telemóveis. Os novos Montana 700i/750i, podem se conectar ao Explore através do telemóvel ou tablet Android, mas é necessário outro aparelho, o telemovel ou tablet para isso. No Overlander só precisamos dele próprio, aliás, como já disse no início do artigo, foi a primeira viagem longa onde dispensei o portátil. Foi o Overlander como GPS e o telemóvel para tudo o resto! E diga-se, é um descanso não ter de me preocupar com o deixar o portátil no carro quando vamos fazer uma caminhada mais longa.

Inreach

Apesar de ser uma opção à parte, não está integrado no Overlander como acontece com os novos Montana, é um acessório demasiado importante para não se falar dele. É um mini telefone/GPS, na sua versão mais básica, que permite comunicar por mensagens via satélite e ainda fazer o rastreamento da nossa posição, também via satélite, e partilhar com alguém. Na prática estamos sempre contactáveis e com localização conhecida mesmo em locais muito remotos.  E o Overlander está preparado para se conectar com ele sendo possível gerir as mensagens através do Overlander. Tal como referido antes, se estivermos com o rastreamento do Inreach ligado, o que recomendo que seja sempre o caso, também o podemos controlar através do Track Recorder, ou seja quando começamos a marcar um track ele liga o rastreamento do inreach e quando paramos de marcar o track eles desliga o rastreamento do inreach. A conexão é rápida e depois do primeiro emparelhamento conectam-se sempre que estejam ligados.

Conclusão

Então, vale a pena comprar o Overlander ou não? Bem, como em tudo depende: 1 – Do uso que lhe vamos dar; 2 – Dos nossos conhecimentos em matéria de navegação e que aparelhos GPS estamos habituados a usar; E ainda depende de outra variável, 3 – Do quanto queremos gastar.

  1. Quando falamos do uso que pretendemos dar ao GPS é preciso ter em atenção que o Overlander é um GPS para ser usado exclusivamente no carro, jipe, caravana, etc. Não está de todo preparado, nem para ser usado na mota, não é resistente à água por exemplo, nem em actividades outdoor como caminhadas ou BTT, dado que tem uma bateria de muito pouca duração além de que faltam uma serie de funcionalidades presentes em GPS outdoor como o novo Montana 700i/750i. Apesar de estes GPS também incluírem muitas das funcionalidades do Overlander, aliás sempre foram e continuam a ser muito usados para aventuras offroad e overland, há dois aspectos que fazem a diferença. O Drive, App de navegação completo com todas as funcionalidades esperadas de um sistema de navegação como os garmin Zumo ou Tomtom e o Explore que como já mostrei, permite a gestão de tracks, waypoints e rotas como nunca foi possível num GPS Garmin. De notar que os GPS outdoor também fazem navegação mas com menos opções de personalização. E claro, gravam e salvam tracks, waypoints e rotas mas não tem as capacidades de organização do Overlander que quanto a mim, fazem toda a diferença neste tipo de aparelhos. Os GPS tipo Zumo ou de outras marcas como Tomtom, Têm Apps de navegação completas mas, ou não permitem gravar tracks ou então se permitem são ainda mais limitados na sua gestão e não são adequados a actividades offroad. Além disto, o Overlander ainda tem o sistema Android que como mostrei antes, permite usar Apps de navegação em conjunto com o sistema Garmin acrescentando todas as funcionalidades e vantagens de um tablet Android para navegação.
  2. O Overlander tem uma forma diferente de funcionar, pelos menos quando comparado com os GPS Garmin tradicionais, Gpsmap, Monterra ou Montana. Se estamos habituados a trabalhar com um desses aparelhos, o Overlander é muito diferente. Não é mais complicado, depois de percebermos o funcionamento é até mais simples e prático de usar, mas o facto de ser significativamente diferente de um GPS Garmin tradicional pode criar a impressão errada inicialmente. Na realidade, para viagens, offroad e overland, a maioria das funções de um Montana, que são muitas diga-se, não são necessárias enquanto que no Overlander todas as suas funcionalidades estão delineadas para este conceito. É, no entanto, mais simples e imediato de usar que um tablet com Tomtom e Orux (ou outros Apps do género). Os Apps como Orux, Locus ou Osmand são muito completos, mais do que qualquer Explore ou Montana, mas também mais complexos e requerem uma curva de aprendizagem ainda maior. Eu diria que o Overlander é um bom compromisso entre facilidade de utilização e capacidades.
  3. E depois temos o preço e aqui é que a coisa fica complicada para o Overlander! Efectivamente é um GPS mais caro que as outras soluções. À primeira vista pode parecer que o preço é idêntico ao Montana 700i, mas a realidade é bem diferente. O Montana 700i tem um preço idêntico ao Overlander, cerca de 700 euros, mas já inclui o Inreach. O Overlander não tem esta tecnologia integrada, mas faz todo o sentido adquirir para quem viaja sozinho, com crianças pequenas ou em locais remotos. O Inreach mini, o mais básico de todos, custa cerca de 300 euros o que juntando ao valor do Overlander eleva-o para 1000 euros! Bastante acima do Montana. Mesmo que a nossa opção recaia sobre um tablet resistente como um Samsung Active, isto para manter o nível de resistência e protecção idêntico aos GPS Garmin, com o inreach mini fica a preço idêntico ao Montana 700i. Se as vantagens do Overlander justificam esses 300 euros a mais que um Montana ou um tablet vai depender de cada um e da sua carteira! Para aqueles que não tem qualquer interesse no Inreach ai sim, o preço idêntico torna o Overlander no GPS Garmin mais atractivo do momento para viagens, offroad e overland!

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